Resposta a um velho companheiro de jornadas

Uma das coisas que me fazem recuperar o fôlego nessa difícil jornada como Comandante Geral são as mensagens de apoio que recebo diariamente. É bom ver que em meio a tantas críticas, às vezes, injustas e duras, encontramos o reconhecimento de alguns bons combatentes e amigos.

São inúmeras as mensagens que venho recebendo aqui no blog, e infelizmente o trabalho de responder a todos tornou-se impossível. Porém tenham a certeza de que leio todas as mensagens que chegam, e que aos poucos as responderei por meio de posts.

Uma mensagem em especial me surpreendeu muito. Um velho companheiro de jornadas que há muito tempo não tinha notícias, mas cuja a lembrança ainda permanece viva. Abaixo reproduzo a sua mensagem e a minha resposta:

Quero parabeniza-lo por sua ascensão ao mais alto posto da polícia militar do estado do rio de janeiro, embora um pouco atrasado,mais,com muita alegria e reconhecimento de sua competência e habilidade ímpar de tratar o material mais importante que a polícia tem que é o Policial Militar.Conheci o sr.quando no ano de 1981,juntamente com mais 49 recrutas vindo do cfap, ingressei no 12ºBPM .Tanto o sr. como eu, éramos jovens e ainda me lembro como o sr. corria para embarcar numa VTR., para atender uma ocorrência.Também me lembro de sua franja loura que lhe teimava em cair em sua testa.É coronel; desde cedo o sr. já fazia a diferença entre todos os oficiais do BPM. Oro,para que o sr.seja um CMT sábio e vitorioso na Polícia e que seja muito feliz com sua família .Desejoso de um dia, em breve poder prestar-lhe a continência e apertar a mão do amigo com muito respeito e gratidão. Luiz Cézar Castanho Carvalo, 1ºSGT PM RR RG 34966.

Luiz Cézar Castanho Carvalho

Prezado Sargento Castanho,

Caramba, quanto tempo faz isso meu companheiro?

Se não me falha a memória você trabalhava no setor Santa Rosa-Icaraí, acho que Eco, de RP. O prefixo da sua viatura era 54-1079.

Se não estou me enganando, me lembro de uma noite, em 1985, em que você se envolveu numa troca de tiros com dois malandros que haviam furtado um toca-fitas de um carro e você havia baleado um deles. A ocorrência foi registrada na 77 ª. Foi contigo, não foi?

Bem, o tempo passou e aqui estamos.

Você estava num Batalhão do centro, não? O 13º, talvez.

Mande notícias.

Foi um prazer receber seu e-mail e obrigado pelas palavras e o estímulo.

Um abraço

48 Comentários 3 de outubro de 2009

Sobre essa tal twitosfera

Na semana passada o jornal O Dia veiculou uma matéria que noticiava uma possível caçada determinada por mim a um usuário do Twitter, o qual estaria “vazando” o boletim da PM, expondo-o na Internet para acesso indiscriminado.

É verdade que me preocupa a exposição das informações de forma descontrolada, sem acesso limitado a interessados que tenham no mínimo uma legitimidade para conhecer das nossas Notas de Instrução, Ordens de Serviço e rotinas, de uma maneira geral.

Mesmo com a necessidade de alguma limitação de acesso, ainda assim o BOL PM pode ser lido por quem se interessar, e comprove inserir-se nestas condições de legalidade e legitimidade para conhecer, ficando à disposição na PM/5 na sua forma impressa, para essas pessoas.

À exceção disso, nunca me preocupei com a existência de quaisquer outras considerações expostas nos twitters, posto que, pelo que pude perceber desde o início do uso da ferramenta pelos internautas para anunciação de questões acerca da PM e seus componentes, prestou-se, marcadamente, ao denuncismo voraz, uma modalidade bastante conhecida na humanidade e que historicamente acaba revelando figuras bem piores que aquelas que denunciam, quando suas identidades vêem à tona e retira-lhes a máscara que cobre a hipocrisia.

Por outro lado, desde que conheci o Praças da PMERJ, blog a princípio mantido por Praças da nossa Corporação, passei a acompanhá-lo diariamente, pois, ainda que em alguns momentos se permita publicações mais agrestes e alguma catarse individual bem compreensível – considerando-se toda indiferença que dirigimos à base da pirâmide institucional durante tantos anos – o blog dos Praças tem conteúdo argumentativo, além de nos últimos tempos ter aprimorado sua literatura, muito provavelmente quando percebeu que seus textos e comentários de textos, estavam sendo lidos por públicos diversos, pessoas com interesse científico e político sobre suas aspirações, demandas e identidade intelectual.

Esclareço, então, aqui, que não há caçada contra twitter algum, embora em alguns eu reconheça uma ética que não me deixa escapar Victor Hugo, quando declara que há pessoas que quanto às regras da honra só as observam como se vêem as estrelas: de longe.

São essas que se atiram contra pessoas atacando-as todo tempo pelas costas, porque, por absoluta falta de estatura, não fariam isso com qualquer que se lhe olhasse nos olhos.

Num futuro breve escreverei sobre os passos que já demos para a aquisição da pistola .40 com vistas ao uso acautelado.

Um grande abraço para todos os honrados homens e mulheres de nossa PMERJ.

14 Comentários 1 de outubro de 2009

Sobre Lobos e Ovelhas

passa_destaque_20099261854410A62F83B7E97D90
O tiro do Busnello acertou em cheio.
No Brasil não temos muitos registros de ações com reféns em que o agressor tenha sido atingido por atirador de precisão, com conseqüente libertação da vítima.
Verdadeiramente não me lembro de nenhum caso que encerre sucesso.
Em São Paulo, em 1990 o cabo da PM paulista e atirador de elite Marco Antonio Furlan, disparou contra um assaltante, mas acabou também matando a refém, a professora Adriana Caringi, quando o projétil acertou com precisão a cabeça do criminoso, atravessou-a e veio atingir também a vítima. Os efeitos transfixantes do calibre 7,62 ainda eram pouco conhecidos entre policiais paulistas e isso foi decisivo para a tragédia.
Em 2000, aqui no Rio, outra tragédia: Um assaltante descontrolado que mantinha reféns foi inutilmente preservado em detrimento das vítimas que ameaçava. Durante longos minutos esteve sob mira de atiradores de precisão do BOPE, que aguardavam uma ordem para agir. O desfecho foi trágico. A ordem não foi dada, o alvo não foi posto fora de ação e mais uma dor encheu as páginas dos jornais por semanas.
Ocorrências com reféns encerram uma questão transcendente às interpretações meramente jurídicas.
Ela se afasta, por exemplo, e totalmente, dessas em que criminosos armados se vêem cercados, confinados em algum lugar onde armam posições barricadas e sinalizam disposição para reação.
Mesmo em situações assim, com risco potencial à vida dos policiais agentes do Estado e detentores do monopólio do uso de armas, compreende-se que a busca na preservação da vida agressora está em consideração inequívoca a partir da relação Estado versus transgressor, e o Estado, como sabemos, deve a qualquer custo preservar vidas.
Ora, se aqui mesmo já nos soa um tanto estranho essa consideração, posto que o Estado, nesse caso, não é um ser abstrato, mas um conjunto de seres humanos de uma categoria chamada polícia que não merece perecer em mãos bandidas, no caso de ocorrências com reféns a questão se simplifica pelo agravamento, porque, a participação da vítima-refém exige uma escolha e, aí, devemos enfrentar uma questão filosófica do campo da axiologia. Explico:
Numa ocorrência com refém, o Estado, que deve preservar vidas, corre o risco de sacrificar a vida inocente ameaçada se agir com vacilações a pretexto de preservá-las, todas, a qualquer custo.
É verdade que o direito prevê a excludente de criminalidade pela legítima defesa própria ou de terceiro para casos assim, mas a prevalência das considerações políticas e ideológicas na consideração de interpretar o marginal violento como vítima da sociedade, como fizeram de Sandro Barbosa do Nascimento, o seqüestrador do caso 174, têm sobressaído nos julgamentos intelectualizadose outras opiniões “abalizadas”.
E, então, nos situamos na axiologia, ou teoria de valores, e vou defender até a morte a necessidade de proteção do inocente ante o agressor.
O célebre Victor Hugo disse certa vez que Quem poupa o lobo sacrifica a ovelha.
Não pretender a morte do criminoso sim, daí a extensa e intensa negociação do coronel Príncipe com o marginal, cara a cara, mesmo expondo sua própria vida quando o bandido manuseava uma granada sem trava de segurança.
Mas isso pára aí.
Deus nos livre daquela granada explodir.
Deus nos livre de lamentar sangue inocente por pusilanimidade, inabilidade ou miopia para o mal; cegueira para a verdade.
Há nove anos Príncipe também estava lá diante de Sandro, armado e ameaçador.
Senti um arrepio quando vi a cena na televisão da ocorrência dessa sexta-feira de sucesso na Tijuca.
Dessa vez foi diferente, pois ele era o comandante.
O coronel Príncipe tinha a situação em suas mãos e coube-lhe ponderar a preservação da vida inocente a qualquer custo.
Busnello acertou em cheio, acertou seu alvo, salvou algumas vidas, principalmente a da comerciante Ana Cristina Garrido, refém no episódio.
Busnello acertou em cheio, promovendo uma explosão de emoções e sensação de alívio em quem acompanhou todo o drama no local.
Busnello é um integrante do 6º BPM, o Batalhão da Tijuca comandado pelo Tenente Coronel Príncipe. Ontem ele cumpriu sua missão de servir e proteger, mas não teve alternativa: para preservar a ovelha, teve que sacrificar o lobo.
Agora sim, o Zé Padilha pode fazer um filme com final feliz.
Força e Honra aos valentes do Batalhão da Tijuca!

30 Comentários 26 de setembro de 2009

Cursos de Aperfeiçoamento e Confirmação de Divisa

Tenho recebido muitos posts cobrando a realização dos cursos de aperfeiçoamento de sargentos e cursos de confirmação de divisa para os graduados promovidos, tanto por tempo de serviço, quanto concursados. É importante dizer que assumimos a Corporação com várias demandas reprimidas nas mais diversas áreas que necessitam de uma pronta resposta, dentre elas a área de ensino. Tenho a convicção de que a formação é a base para estabelecermos fundamentos sólidos na atuação da Polícia Militar diante da sociedade; e que o aperfeiçoamento como parte da formação continuada faz parte desse projeto.

Como parte das medidas tomadas por este Comandante Geral para dar solução a essas demandas, já foram públicas no Bol PM n° 042 instruções para inscrição no Curso de Aperfeiçoamento de Sargento com previsão de 500 (quinhentas) vagas inicialmente, que atenderão aos Sargentos que preencherem aos requisitos necessários previstos. Este primeiro curso será de caráter semipresencial, o que significa dizer que será sem prejuízo para o serviço, com início ainda neste ano. Concomitantemente, já está sendo providenciado outro curso para o atendimento de mais 700 (setecentas) vagas com previsão para começar no início de 2010. Nosso cronograma prevê a realização de cursos consecutivos, sem interrupção com essa média de graduados atendidos até que toda demanda seja satisfeita.

Não obstante, estamos empreendendo esforços junto a FAETEC no sentido de estabelecer um convênio que atenda também aos cursos de confirmação de divisa, tanto para Cabos quanto para sargentos, que também terão regime semipresencial. Tal medida visa atender toda a demanda existente atualmente de ensino da Corporação, inclusive com o foco na habilitação a graduações superiores.

Existe, também, a previsão da realização do CASAS (aperfeiçoamento de sargentos da área de saúde) e do CASES (aperfeiçoamento de sargentos especialistas da área de saúde, motomecanização e comunicações), que há quase 08 (oito) anos não são atendidos em suas necessidades de cursos de aperfeiçoamento. Esses dois outros cursos serão realizados em regime semipresencial no período de 04 (quatro) meses, sendo dois meses nas especialidades e dois meses no CQPS, sem prejuízo do serviço.

Finalmente, até o final de 2010, temos a previsão de aperfeiçoar 2.600 (dois mil e seiscentos) sargentos, tanto de tempo de serviço quanto concursados. E isso atendendo também aos especialistas.

83 Comentários 14 de setembro de 2009

Por que o Bol PM não está mais na rede?

Os leitores e visitantes deste blog devem ter percebido a demora nas respostas e na atualização do nosso blog. Isto se dá por uma série de fatores, dentre eles a implementação extremamente desgastante de novas diretrizes de comando, que me tomam mais do que as habituais 24 horas diárias.

Gostaria de aproveitar a oportunidade para esclarecer certos posicionamentos do nosso comando em relação, principalmente, no que diz respeito ao Boletim Interno da Polícia Militar. Vejam vocês que o Boletim da nossa Polícia estava sendo divulgado de forma irresponsável. Afinal, como informações que dizem respeito a alterações de policiais militares, ordens e disposições gerais, manuais de instrução e informações de nível estratégico, tático e operacional poderiam estar expostos de tal forma?

Pior ainda é cogitar que criminosos tenham acesso irrestrito a tais informações, podendo colocar em risco a vida de nossos policiais.

Lamento a vacância de tempo que existiu entre a implementação de um novo serviço e o comunicado mais explicativo sobre suas razões. Parece-me claro vislumbrar que em um futuro próximo todos os policiais militares tenham uma conta de email Corporativo e recebam, além de comunicados e outros serviços, o Boletim Interno da nossa Polícia. Essa é uma realidade que já se aproxima. Estamos fazendo testes sobre a aplicação de um novo serviço de email Corporativo, mais simples e ágil, através de uma grande e conhecida empresa de Tecnologia da Informação.

Precisamos, e devemos, buscar uma Polícia nova, revigorada. Não estão sendo medidos esforços para alcançarmos maior qualidade em nossos serviços. A criação de um ambiente corporativo com novos programas e aplicativos, onde cada policial militar terá uma senha de acesso já está sendo desenvolvido. Queremos unir ainda mais a Polícia Militar, e a promoção de um ambiente de troca de informações é imprescindível para alcançarmos este objetivo.

Estou ciente de todas as angústias e aflições da tropa, conforme leio todos os dias neste blog, e estamos trabalhando muito para promover mudanças.

Sei dos questionamentos quanto ao fim do rancho, acautelamento da pistola .40, a questão dos uniformes, aumento salarial, Rio Card, PEC 300, melhores escalas de serviço e tantas outras demandas. Vou abordar cada um destes assuntos neste blog, mas quero que fiquem com a certeza de que seu Comandante está trabalhando pelos vossos anseios.

O período dos boatos sem resposta acabou. Farei de tudo para me pronunciar quanto a todas as questões levantadas pela tropa. Mas sou um homem de ideais e, ainda, um Comandante,e é preciso entender que as decisões do Comando Geral são minhas, acertadas ou não. E que todas as decisões são fruto daquilo que me parece correto e íntegro. Espere que fiquem com essa certeza em seus corações.

Um grande abraço do seu Comandante Geral

MÁRIO SÉRGIO DE BRITO DUARTE – 01

136 Comentários 2 de setembro de 2009

A questão salarial

Gostaria de agradecer a todos vocês, leitores e comentaristas, que abrilhantaram a estréia desse nosso espaço. Foram quase cem comentários, dentre sugestões, críticas e votos de confiança de que ombreados teremos muito trabalho pela frente.

Como já era previsível, não estou tendo o tempo que gostaria para responder a todos os comentários. Alguns não serão respondidos na hora, mas por tratarem de assuntos extremamente importantes virarão post, como este.

Como era de se esperar, um dos tópicos mais citados nos comentários foi a questão salarial. Dentre dezenas de anônimos, leitores como Marcelo, R Costa, Sargento Salles, Alexandre Marinho, Soldado PM Viana e Fábio Cunha querem saber sobre o andamento das negociações por reajuste de vencimento.

Essa negociação por melhoria salarial deve ser protagonizada pelo próprio Comandante Geral, e é assim que vem sendo feita. Tenho me reunido com o Secretário de Planejamento e outros membros de sua equipe com esse fim. Não obstante ser uma decisão que ultrapasse a minha competência, já que não tenho a caneta que decide os salários da Corporação, essa é uma aspiração que requer minha intensa e definitiva participação.

A questão salarial merece especial atenção! Merece sim, e eu vou trabalhar muito para que possamos ter sucesso no atingimento de nossas aspirações legais e legítimas. Com a segurança de comandar um grupo de quase quarenta mil homens e mulheres, trabalhando para promover segurança e paz, suando e sangrando em benefício do povo fluminense.

Essas são as credenciais que carrego, ou seja, não é o que sou, ou o que faço, mas os que “os meus” fazem é que me irão tornar uma voz segura em defesa de direitos que conquistaremos com dedicação e renúncia.

Essa é uma jornada que faremos juntos.

Mário Sérgio de Brito Duarte

142 Comentários 17 de agosto de 2009

Vá e Vença!

cara cmt geralSó um dia antes da minha assunção no comando geral da PM foi que parei para refletir sobre as conseqüências à minha vida pessoal que a função poderia trazer.

Aprendi com o tempo a não ter expectativas na corporação e apenas fazer meu trabalho.

Sempre que agi diferente, me frustrei.

No início, acalentei o sonho de comandar a companhia de rádio patrulha e PATAMO do 12º BPM, mas isso nunca se deu, embora tenha servido naquela gloriosa Uop por sete anos, assumindo inúmeras funções.

No 7º Batalhão, ainda Capitão, pensei em trabalhar na P/2 como chefe, já que estivera adjunto de duas chefias. Ansiava mesmo isso, mas, não aconteceu, e fui comandante da Cia de RP e PATAMO, além de P/3 e P/4.

Nunca me imaginei, todavia, comandando a Academia, ou o 22º Batalhão.
Essas me eram Unidades “distantes”, sem uma relação histórica, ainda que, no caso da APM, tivesse passado três importantes anos de minha vida como cadete.

Foi nestas organizações, justamente, que iniciei nova fase da carreira como seu comandante.

Isso se repetiu muitas vezes ao longo da minha vida e resolvi parar de ter expectativas, de ansiar, por exemplo, por comandar o 12º BPM, onde fui aspirante; as coisas simplesmente foram acontecendo: comandei o BOPE, fui Superintendente na SSPIO, presidente do ISP e, então, Comandante Geral.

Uma jornalista me perguntou no dia da posse do Delegado Alan Turnowisk, na PCERJ, seu eu estava preparado para ser o “CG” se tivesse que assumir o cargo.

Não estranhei sua pergunta, afinal, só se falava disso na mídia.

Respondi para ela que todo coronel da PM tem a obrigação de estar pronto. Se houvesse algum que não se sentisse capaz de assumir a função, não poderia estar na ativa; e completei, em tom de brincadeira, que não me sentia capaz, todavia, de assumir a PETROBRAS ou o cargo de treinador do Vasco.

Creio que na nossa vida profissional as coisas devam funcionar assim; devemos estar prontos para as missões que nos cabem.

Todos devemos ter plenas condições de corresponder às expectativas básicas de um chamado legal e legítimo.

Algumas pessoas estranhas à profissão acreditam que é fácil ser policial militar.

A grande maioria com as quais conversei mais detidamente sobre isso, falavam assentadas no “toco” de seus preconceitos.

Umas até argumentavam que “se é soldado então não se requer conhecimento de nada além de alguns manuais, ordem unida e manuseio de armas”.

Reconheço que há muito preconceito no mundo. Isso começa já na distinção que fazemos de nós mesmos em relação ao “outro”; se é o “outro”, então não possui as qualidades que “eu possuo”, mas possui os defeitos que “eu não possuo”.

Levamos isso para o “eu coletivo” também.

Se “o outro coletivo” não tem nossas representações, “nosso eu de grupo”, “nosso eu cultural”, “nosso eu de classe”, logo julgamo-lo desclassificado, quando não mesmo oposto.

Talvez as pessoas não façam reflexões sobre isso e reproduzam um discurso preconceituoso sobre a profissão policial militar.

Por desconhecer a gama infinita de serviços que nossos soldados prestam à sociedade todos os dias, deixando, não raro, o chão encharcado com o seu sangue honrado, não reconhecido e muitas vezes desprezado, muitos tripudiam sobre seu valor.

Não atentam, penso, esses julgadores, para o fato de que nossos policiais militares são a principal frente de defesa para sociedade, atendendo a população nas mais variadas situações que exigem reflexão e conhecimento básico em vários temas, marcadamente do direito e suas leis, e outros das ciências de humanidades.
Mas, se o “cliente” da PM – expressão que só uso aqui por um certo modismo, já que não sou seu adepto, – pouco crê, ou sabe, das habilidades que o dia-a-dia requer dos nossos homens e mulheres, não podemos não tê-las, e, aí, temos que conhecer bem nossa profissão em qualquer nível de carreira que ocupemos, posto que, nas ruas, pouco importa ao cidadão se quem o atende é soldado ou coronel e nunca sabemos o que será exigido de nós.

Nos dias que antecederam minha assunção no comando geral, pensei muito nisso.

Fiquei tentando imaginar que exigências terei que enfrentar.

De cara sei que há as exigências da população por melhoria na segurança, as exigências da mídia por informação, as exigências do sistema de justiça para atendimento de suas necessidades, há as exigências dos protocolos sociais e políticos, há as exigências das metas, as exigências da família, e, principalmente, as exigências da corporação: de seus homens e mulheres ansiosos e merecedores de atenção, respeito e agregação de valor em suas carreiras de sacrifício, o que inclui condições de trabalho, salário, assistência social, alimentação, transporte, férias, assistência médica, acesso ao conhecimento etc etc etc.

Ufa!

Sempre pensei nessas coisas a vida toda na PM, mas nunca parei para pensar o que poderiam me trazer de conseqüências pessoais ao enfrentar esse desafio.

Se parasse para pensar talvez não fosse hoje o Comandante Geral, porque, certamente, não sairei dessa sem um grande desgaste para o corpo e para a alma.

Eu tenho um plano, é verdade, que se inicia na busca de promover equidade.

Essa foi a palavra que encontrei para juntar todas os modelos formais de justiça para a aplicação na PM.

Iniciamos nosso comando com a estratégia de ouvir a todos; se não individualmente, ao menos coletivamente; daí as reuniões com os representantes dos círculos, quando temos recolhido grandes sugestões sobre as quais nos debruçaremos sobre elas, como, por exemplo, os cursos à distância com provas presenciais. Essa já é noventa e nove por cento certo de sair, embora não seja rápido e precisemos de um tempinho para arrumar as coisas.

Uma grande idéia recorrente foi o pagamento de horas extras. Vamos trabalhar por isso.

As idéias são às centenas, estamos compilando e depois vamos apresentá-las, discuti-las nos círculos, analisá-las, descartá-las ou ampliá-las.

Outra ação que acabamos por realizar foi a adoção de um novo e único boletim disciplinar. Compreende-se que nas FFAA isso seja diferente, mas na PM não deve ser. Aqui não temos quadros temporários, de conscritos, então, para que possamos promover equidade disciplinar não podemos deixar que haja sectarismos disciplinares. As recompensas e punições devem ser conhecidas por praças e oficiais sem vedação de acesso, e, se, para as faltas comuns de caserna não é imprescindível sua veiculação em boletim ostensivo de acesso público, o mesmo não podemos dizer daquelas que atingem pontos de honra da profissão, e que, a seu turno, não deixarão de serem publicadas em boletim ostensivo, consoante o que será regulado.

Entendo que a profissão deve ser cada vez mais valorizada, daí querermos mudar o critério de ascensão na carreira, mas é claro que não haverá perda de promoção para ninguém. Eu seria cruel se pretendesse isso. Há milhares de policiais militares aguardando uma promoção que lhes melhore o salário e a auto-estima e eu nunca cogitei de podar-lhes as aspirações.

Todavia, não pode o candidato de hoje, aquele que ainda nem entrou na PM, já se enxergar subtenente, e, por isso, vamos encontrar uma maneira de preparar o futuro, todos juntos.

É verdade que comandar assim é desgastante.

Osório, um dos maiores generais brasileiros de todos os tempos dizia que era fácil a missão de comandar homens livres, bastando que se lhes mostrasse o caminho do dever.

Estou com Osório e por isso creio que antes do regulamento disciplinar há o sentimento irrefreável do dever norteando nossas condutas.

Estou me desgastando muito, conversando muito, dialogando muito, debatendo muito, respondendo a muitos e-mails, lendo sugestões e críticas com paciência e resignação.

Não sei comandar de outro jeito.

Não sei também ser indiferente à dor, mas estranhamente sou contido na alegria.

Este blog será usado para interlocução de meu comando. Meu outro blog, pessoal, voltará a tratar de segurança pública e não mais sobre a PMERJ exclusivamente.

Mas continuarei postando lá, embora isso vá diminuir muito, pois preciso de tempo para descansar.

A função de Comandante Geral pode ser exercida de muitas maneiras e escolhi o diálogo e a valorização do profissional como balizadores.

Sou contra performances que não contribuem com o engrandecimento humano. Não consigo entender que para alguém se mostrar grande, deva diminuir o outro, em especial em público.

Se eu disse que devemos vencer a preguiça, foi porque estava falando do desânimo que nos invade a alma e nos faz descrentes de mudanças.

Mudanças incomodam, mas elas estão acontecendo.

Estou sem tempo para ler meus livros; o blog Casos de Polícia, o blog Repórter de Crime, o blog da Segurança, o Santa Bárbara e Rebouças e isso é doloroso para mim.

Aliás, tenho lido o “Praças da PMERJ” e queria aproveitar para dizer à Mônica e ao CB Verdade, que reflito com atenção sobre o que dizem, e se me permitem uma sugestão, melhorem cada vez mais o espaço.

Reflitam para o fato de que o nome do Blog e o que estiver postado nele vão dizer da qualidade dos nossos profissionais, com as angústias e necessidades que expõe.

Ele é cada dia mais lido pelo público externo, e a opinião pública o verá como mais uma fonte de aferição das qualidades dos praças da corporação; seus pontos de vista e dimensão deontológica em que se inserem.

Vou ficando por aqui.

Mesmo sem ser um homem religioso me ocorre, mais uma vez, lembrar Jesus quando disse Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele tivesse ateado.

Era do fogo das mudanças, das transformações no solo das nossas existências que Ele falava.

Haverá ceticismo, descrenças, desânimos, falta de cooperação, torcida contra e todo tipo de obstáculos, mas, ainda assim, iremos tentar.

Não se aconselhem com receios, dizia, a seu turno, o general Patton aos seus comandados.

Vou continuar tentando não me aconselhar com os meus.

111 Comentários 11 de agosto de 2009


Bem vindo

01

Bem vindos ao meu novo blog, o Blog do 01!

Este blog vai aproximar você ao Comando Geral da Corporação, para que juntos tenhamos uma Polícia Militar mais unida e forte.

Receba os posts por email

Ou... assine o feed

Nossa Polícia na Rede

Assuntos

Comentários

Tópicos recentes

Arquivo

Lista de Links